43-OUT NOV DEZ 2009
 


» MERCADO

Não deixe a chuva de verão surpreender você




Assim como Papai noel, réveillon e carnaval, os temporais são presença certa no verão carioca. Que tal fazer uma checagem nos itens de seu prédio sujeitos a serem afetados pelas chuvas e trovoadas? Como preveniré sempre melhor – e mais barato – que remediar, nada como verificar se está tudo em ordem com para-raios, poços coletores e bombas submersíveis de seu condomínio.

As chamadas chuvas de verão quase sempre ocorrem no fim de tarde, depois de um dia de muito calor. São de rápida duração e grande intensidade, atingindo altos níveis pluviométricos (acima de 7,5mm/ hora) em poucos minutos, e costumam ser acompanhadas por relâmpagos e trovões. Os sistemas de drenagem da cidade sofrem para dar conta do recado – e muitas vezes não dão. A consequência é que o caos nas ruas pode chegar aos prédios, principalmente os que contam com garagem subterrânea. E tome carro boiando, estrago em móveis de portaria e elevadores sem poder descer. Para completar, se o para-raio não estiver “nos trinques”, há o risco de o prédio ser atingido por uma descarga elétrica, colocando moradores em risco.

Situado numa rua transversal ao Rio Maracanã, o condomínio Leandro, na Tijuca, costumava ser alvo da fúria das águas em dia de vendaval. Garagem e portaria, ambos no pavimento térreo, ficavam inundados, a ponto de qualquer chuva mais forte ser motivo para síndico e porteiro transferirem a mobília da portaria para a escada, a fim de evitar estragos. Pelo mesmo motivo, o elevador fora programado para não ficar parado no andar térreo – a cada viagem concluída, seguia diretamente pra o G2, de modo a não correr o risco de uma possível inundação atingi-lo, causando curto-circuito nos sistemas do equipamento. Porém o síndico Arthur Martins Fraga Filho há mais de um ano suspendeu a vigília. “Um canal sob a rua foi desobstruído pela prefeitura. Não entra mais água no prédio em dias de temporal, mas o Rio Maracanã ainda extravasa e a rua enche
com água contaminada. continua sendo um problema de saúde pública para quem mora aqui”, comenta Fraga.

A síndica Leimar Oliveira de Azevedo, do condomínio Orizzonti di Barra, acorda sobressaltada a qualquer sinal de chuva na madrugada. Mas lá o problema se encontra no sistema de escoamento do andar térreo, que foi mal dimensionado. Em caso de temporal, a área do playground e do salão de festas fica inundada, podendo o alagamento atingir o elevador de serviço (o que, por sinal, já ocorreu alguns anos atrás). “No poço do elevador há uma bomba sapo. Minha proposta aos condôminos é elevar em 15 centímetros o piso e corrigir os desníveis. O objetivo é evitar que a água invada o interior do prédio”, explica leimar, que completa: “Quando chove forte temos que contar com a bomba e com a boa vontade dos funcionários para impedir a entrada de água. Acredito que parte do problema venha também do fato de a Barra não contar com rede de esgoto.”

Manutenção preventiva é o caminho para os síndicos que não querem sofrer a cada temporal. no caso das bombas, é importante saber que cada modelo tem uma função, avisa luiz alberto carvalho, sócio-diretor da hidroluz, empresa com 46 anos de mercado. “Existem vários tipos de bomba submersíveis, como as de escoamento de esgoto, de águas pluviais e as de águas servidas (usadas). A diferença é pequena. Por isso recomendo a assessoria de um técnico de empresa especializadaem bombas para avaliar a capacidade das bombas atuais, fazer uma projeção do volume de água que pode entrar numa chuva e, dessa forma, ampliar, se necessário, o dimensionamento das bombas. O especialista é fundamental para que o prédio tenha o sistema correto, nem maior nem menor que o necessário”, alerta.

Para garagens subterrâneas, Carvalho sugere bombas de alta vazão (até 60 mil litros por hora) e avisa que as chamadas bombas sapo têm baixa capacidade (cerca de dois mil litros por hora) e não são recomendadas em caso de inundação. “E é fundamental ter duas bombas, sendo o mais recomendável que o acionamento da segunda seja automático, em caso de grande demanda. essa providência aumenta a capacidade de escoamento e a segurança, caso uma delas falhe”, assinala o sócio da hidroluz. Os preços das bombas submersíveis, sem os custos de instalação, estão entre R$ 840 e R$ 2,4 mil. A empresa faz uma avaliação grátis e sem compromisso das necessidades do condomínio, além de também fornecer o serviço de manutenção preventiva em todo o sistema de bombas do prédio. “O custo acompanha a complexidade do sistema. Fica em cerca de R$ 20 por mês, cada bomba, mas quanto mais bombas, menor o preço unitário. Por isso é importante a avaliação caso a caso”, conclui.

Muitas vezes o problema pode não estar na bomba em si, mas nas caixas coletoras nas quais elas estão instaladas. acúmulo de lixo, terra e areia fazem as bombas trabalharem com dificuldade e, caso chova intensamente, elas param e não conseguem jogar a água para fora. Quem avisa é Joel costa, da desentupidora J.costa. Outro ponto que merece atenção, segundo ele, são as calhas e as colunas que escoam a água da chuva. “É preciso checar se a passagem está livre, pois no caso de obstrução pode haver infiltração, principalmente nos apartamentos dos últimos andares”, explica costa, cuja empresa oferece um equipamento com sistema elétrico rotativo que limpa as colunas de águas pluviais.

A recomendação é que as caixas coletoras sejam limpas a cada seis meses, principalmente nos edifícios com garagens subterrâneas. a J.costa atende tanto casos de emergência (24 horas) quanto fornece contrato de manutenção que engloba toda a área comum do prédio. o orçamento é gratuito e sem compromisso. Mas nem só de água vivem as chuvas de verão. as descargas elétricas oriundas dos raios são um perigo para o qual muitos síndicos só atentam depois do fato consumado. Afinal, o para-raio existe e pressupõe-se que ele funcionará quando necessário. Saiba: esse equipamento também precisa de manutenção para trabalhar de forma eficiente. O alerta é de Paulo Sérgio Júnior, gerente de obras da Ideal Fire: “Raio não escolhe lugar para cair, por isso é preciso estar protegido.” Todo prédio com mais de três pavimentos precisa ter para-raio, que deve ser instalado no ponto mais alto da construção (prédios com mais de 20 metros de altura devem contar, também, com proteção lateral, a chamada gaiola de Faraday).

Não basta, no entanto, instalar o equipamento. É preciso checar anualmente se os componentes do para-raios estão funcionando a contento. A descarga de um raio pode danificar fachadas e queimar aparelhos elétricos (embora, nesses casos, geralmente a origem seja na linha de transmissão). a inspeção contempla a verificação da gaiola de Faraday, a medição ôhmica (para aferir a resistência de aterramento) e outros itens. Em seguida, deve haver emissão de laudo técnico assinado por engenheiro elétrico. “a manutenção preventiva checa se há componentes da base enferrujados ou deteriorados, troca peças, verifica se a fotocélula está acionando e o estado do sinalizador noturno”, explica Júnior, cuja empresa cobra de R$ 800 a R$ 1.200, por ano, para o serviço de manutenção de para-raios.

Prefeitura afirma estar se precavendo contra enchentes

Ruas que viram rios, carros boiando, pessoas andando com água pela cintura ou sobre barcos improvisados, em meio aos temporais de verão: será que veremos novamente essas cenas, pessoalmente ou no noticiário? A Secretaria Municipal de Obras, por meio de sua assessoria, afirma que seus órgãos que atuam na área de conservação – Rio-águas e Coordenadoria Geral de Conservação (CGC) – estão agindo em total sinergia para evitar as clássicas cenas de caos durante os temporais da estação mais quente do ano.

Se ocorrer, não será por falta de investimento: em maio último, a prefeitura liberou uma verba suplementar ao orçamento, no valor de R$ 20 milhões, a serem aplicados na recuperação e manutenção dos sistemas de drenagem da cidade. “Pode-se destacar as obras de macrodrenagem da Bacia de Jacarepaguá, com recursos sendo captados do governo federal e contrapartida da prefeitura”, relata a secretaria, que respondeu às perguntas de Condomínio etc. por e-mail.

A secretaria informa, ainda, que “as equipes de serviço da coordenadoria de conservação vistoriam diariamente os logradouros da cidade para identificar os problemas e providenciar a melhoria.”

Os pontos críticos apontados são os de sempre: a região da bacia do mangue, próximo à Praça da Bandeira (que sofre com a influência das marés, por estar em cota muito baixa), a Lagoa (perto da hípica), a própria Praça da Bandeira e o bairro do Maracanã, além da Avenida Brasil, onde a SMO afirma agir diariamente na manutenção do sistema de drenagem.

No entanto, a prefeitura não ousa prometer o fim das enchentes. “Acreditamos que no próximo período das chuvas as equipes da CGC, distribuídas em 25 bairros da cidade, estarão mais bem capacitadas e reforçadas para o atendimento da cidade (para) minimizar os problemas ocasionados pelas chuvas.” Quem viver, verão.

 


 

 

 

 

 

 

A Síndica Leimar Azevedo, do Condomínio Orizzonti di Barra, acorda sobressaltada a qualquer sinal de chuva na madrugada, mas lá o problema se encontra no sistema de escoamento do andar térreo, que foi mal dimensionado. Em caso de temporal, a área do playground e do salão de festas fica inundada,, podendo o alagamento atingir o elevador de serviços (o que, por sinal, já ocorreu alguns anos atrás).

 

 

 

 

 

 

 




 

 

 

 

 

 

 

 

 


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